Extraterrestres – por que são tão difíceis de achar?

O “relógio do tamanho da Terra” despertou alguma perplexidade, e o comentário sobre extraterrestres também intrigou todos os meus (2) leitores.

Quanto ao “relógio”, está claro que não seria possível a construção física de um tal equipamento. Trata-se de um “experimento mental”, uma idealização que poderia “existir” em um “universo paralelo” – ou simplesmente na imaginação do escritor (e do leitor sintonizado).

De qualquer maneira, ele é útil para dar uma ideia da ordem de grandeza do tempo transcorrido desde o início do universo até hoje: um ponteiro se deslocando a 1 milímetro por ano teria percorrido 15 mil quilômetros.

Desde que os dinossauros deixaram de existir o ponteiro “percorreu” uns 65 km. Do surgimento da humanidade até hoje teria havido um deslocamento de uns 200 metros; do tempo de Jesus Cristo até hoje foram apenas 2 metros.

A imensa maioria dos humanos vivos hoje não teria testemunhado um deslocamento do ponteiro de sequer 10 cm. O que representa esse deslocamento numa grande viagem interestelar?

Há algum tempo vi uma reportagem declarando que foram encontrados sinais de um planeta similar à Terra a “apenas” 20 anos luz. Falarei sobre o que me ocorreu ao pensar neste “apenas” em instantes. Antes disso, vamos voltar ao “experimento mental” para avaliar a viabilidade de humanos virem a fazer “viagens” no estilo “Jornada nas Estrelas”. Nos filmes há soluções simples – como as dobras espaciais warp – para os tremendos problemas que surgem com as distâncias. Ou hipotéticas viagens a velocidades acima da velocidade da luz, ou campos de propagação de dados (comunicação) também capazes de superar aquela velocidade.

Ora, na prática não temos ideia de como fazer naves espaciais andarem muito mais rápido que uns 30 mil km por hora. Para facilitar, digamos que seja possível fazer uma nave tripulada chegar a 10 vezes mais que isso, ou 300 mil km por hora.

Suficiente para chegar da Terra à Lua em 1 hora. Naturalmente não saindo da Terra, acelerando ao máximo e desacelerando ao se aproximar da Lua, pois as variações de velocidade seriam fatais para seres vivos, sem contar as dificuldades técnicas, pois nossas viagens espaciais não são feitas desta maneira. É preciso usar campos gravitacionais para ajudar na aceleração e na frenagem, tudo calculado com precisão muito grande.

Agora vamos extrapolar o experimento, para verificar como poderia ser a ocupação do universo por seres humanos. Pra começo de conversa, nossas super naves capazes de andar a 300 mil quilômetros por hora seriam 3.600 vezes mais lentas que a luz.

Para chegar até aquele planeta próximo, a apenas 20 anos luz, demorariamos 20 x 3.600 anos, ou 72.000 anos. Começa a parecer que a “ocupação do universo” não vai ser tão simples… afinal, no universo observável há 170 bilhões de galáxias, e se cada uma tiver o mesmo número de estrelas que a Via Láctea fica cada vez mais difícil imaginar: calcula-se que haja entre 200 e 400 bilhões de estrelas na nossa galáxia.

Bom, então a hipotética “conquista do universo” aparece agora um pouco mais claramente: se todos os seres humanos vivos hoje tivessem saído da Terra quando os seres humanos começaram sua história mais remota conhecida (uns 200 mil anos, ou 200 quilômetros de deslocamento do ponteiro do nosso grande relógio), cada um incumbido de cuidar de quase 30 galáxias (170 bilhões de galáxias divididas por 6 bilhões de humanos), ainda não teriam sequer saído da Via Láctea, nem com as tais supernaves capazes de voar a 300 mil km por hora.

Tornar a tarefa mais humilde não adianta muito: se em vez de galáxias cada ser humano fosse cuidar de algumas estrelas dentro da Via Láctea, seriam de 30 a 60 estrelas por ser humano, mas os 200 mil anos andando a 300 mil km por hora não teriam sido suficientes para levar os intrépidos aventureiros a percorrer sequer 1 milésimo do raio da galáxia.

E os extraterrestres? Arbitrando que a chance de se desenvolver uma civilização razoável em um sistema solar seja de 1 em 1 bilhão, talvez estejamos coexistindo com umas 200 a 400 civilizações na nossa galáxia. O tempo para uma delas alcançar outra estaria na faixa dos 50 mil anos.

Algumas conclusões: primeira, algumas dessas civilizações podem estar contactando outras por mecanismos de comunicação baseados em ondas eletromagnéticas, mas a capacidade técnica de deslocamentos dessa ordem provavelmente se daria em civilizações cujos interesses seriam significativamente diferentes dos humanos.

Segunda, se recebermos sinais eletromagnéticos de civilizações similares à nossa que tenham surgido em outras partes da Via Láctea, galáxia com 100 mil anos-luz de diâmetro, saberemos que tais civilizações tinham capacidade técnica similar à humana atual enquanto nossos ancestrais descobriam o fogo. Se não temos ideia do que espera os seres humanos para os próximos 5 a 10 centímetros de deslocamento do ponteiro daquele relógio imaginário, o que esperar de civilizações que já estavam avançando com o “ponteiro” a 100 metros no passado?

Aliás, esse pequeno deslocamento do ponteiro no futuro traz consigo a possibilidade de ser a era mais decisiva na história da humanidade, o que pode acontecer e como lidar com isso são os próximos assuntos…

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