O que aguarda a humanidade?

Cada vez mais pensadores de alto nível se detêm na avaliação do futuro próximo da humanidade. Nos artigos anteriores apresentei uma maneira simples de visualizar as relações entre o tempo passado pela humanidade na Terra e alguns eventos importantes, incluindo uma teoria amplamente aceita, a do big bang.

Apresentei o “relógio do tamanho da Terra” – um “ponteiro” imaginário se deslocando a 1 milímetro por ano a partir do polo Norte da Terra quando do início do “big bang”, e que hoje estaria na altura de Comodoro Rivadávia, na Argentina. É impressionante constatar que a grande maioria dos humanos vivos hoje não existia quando o “ponteiro” estava a apenas 10 centímetros de sua posição atual.

No artigo seguinte escrevi um pouco sobre a grande dificuldade prática de encontrarmos extraterrestres – lembrando que o problema seria equivalente para eles ao que é para nós. Super naves capazes de viajar a 300 mil quilômetros por hora poderiam viajar por 50 mil anos sem chegar sequer a sair da nossa galáxia.

Chegou a hora de começar a passar da filosofia à prática, considerando dois fatores:

- as gigantescas quantidades de informação geradas a cada momento pela humanidade;
- o crescimento dessa informação, cada vez mais acelerado.

Boa parte das áreas de conhecimento humano estão sendo levadas a reboque pela tecnologia da informação. O crescimento exponencial desta tem influenciado fortemente as demais, com resultados que permitem prever um fenômeno inédito: a “singularidade”. A ideia é que a rápida evolução dos recursos de processamento indicam a ocorrência de um salto extremamente abrupto e rápido em algum momento – provavelmente entre 2015 e 2050 -, a partir do qual a compreensão dos eventos e do desenvolvimento da humanidade se tornarão impossíveis para os seres humanos.

A “lei de Moore”, apesar de ter diversas interpretações possíveis, pode ser superficialmente entendida como a duplicação do desempenho dos computadores a cada dois anos. Isto é suficiente para perceber que, como na história da duplicação dos grãos de trigo a cada quadrinho de um tabuleiro de xadrez, em um dado momento a duplicação levará a um resultado inacreditável para quem pensa somente nos primeiros passos.

Algumas tecnologia parecem carregar uma grande responsabilidade no desenvolvimento próximo da humanidade: nanotecnologia, genética e robótica. Todas elas, e até a simples possibilidade de passar incolumemente por um momento tão importante na história, demandam o uso eficiente de grandes quantidades de informação.

Na verdade, a ocorrência da singularidade parece inevitável. A dúvida não é mais se irá ocorrer, mas quando. Já se prevêem computadores com capacidade de processamento semelhante à de um cérebro humano em 20 ou 30 anos. Em 50 anos a capacidade de uma única dessas máquinas poderá equivaler a toda a inteligência humana hoje existente.

Infelizmente, com tão grande poder, as perspectivas são um tanto assustadoras. A humanidade tem conseguido indiscutíveis avanços, mas sempre às custas de preços nem sempre fáceis de pagar. É fácil perceber que a destruição é muito mais barata, fácil e rápida do que a construção.

Então, para onde caminhar? O que aguarda a humanidade? Não há caminhos definidos, regras escritas, possibilidades inalteradas. O que percebemos cada vez com maior clareza é que será necessário, entre outras coisas:
- aprender a lidar com as quantidades crescentes de informações
- aprender a viver em um mundo que pode e vai mudar muito e com muita rapidez
- aprender a entender e conviver com essa nova realidade.

Ou seja: teremos muito material para trabalhar… vamos começar com as ferramentas hoje disponíveis e que podem nos ajudar nos primeiros passos.

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