O que o Google está fazendo com nossos cérebros?

O primeiro estudo a procurar determinar o impacto da pesquisa na internet, amplamente dominada pelo Google, sobre o desempenho cerebral, concluiu que ocorrem diferenças na maneira de funcionar do cérebro de pessoas adultas e idosas habituadas à pesquisa na internet em relação às pessoas sem este hábito.

O chefe da pesquisa, Dr. Gary Small (Universidade da Califórnia, EUA), já tinha determinado anteriormente a existência de uma diferença funcional entre os cérebros de adultos de mais idade e os nascidos na “era da Internet”, que ele chama respectivamente de “imigrantes digitais” e “nativos digitais”.

Idosos mais espertos?…

A pesquisa foi feita comparando a atividade cerebral em 24 indivíduos com idade entre 55 e 76 anos. Os indivíduos foram divididos em dois grupos, de habituados e de não-habituados à pesquisa na internet. Primeiro foram observados os padrões cerebrais durante a leitura de um livro. Ambos os grupos tiveram o mesmo resultado, com uso das regiões que controlam a linguagem, leitura, memória e habilidades visuais.

Na etapa seguinte, foram feitas observações durante pesquisas na internet. O grupo de “novatos” na pesquisa teve padrões similares aos da leitura de um livro, mas o grupo de usuários habituais de mecanismos de busca usaram regiões do cérebro que se encarregam de tomada de decisões e raciocínios complexos.


Imagens de ressonância magnética funcional (functional magnetic resonance imaging – fMRI)

O objetivo do estudo foi comprovar a possibilidade de manter e melhorar o funcionamento do cérebro em idosos, mas esta conclusão tem relação com a Plasticidade Cerebral, uma propriedade do cérebro de se adequar aos estímulos, propriedade que permanece durante toda a vida e não apenas em pessoas bem jovens.

Detalhes sobre o estudo estão no livro “iBrain: Surviving the Technological Alteration of the Modern Mind”. Se você estuda o assunto e entende inglês, pode comprar o livro na Amazon:




…ou todos mais “estúpidos”?

Existem diferentes opiniões publicadas sobre o que pode estar ocorrendo. Em uma delas, o autor Nicholas Carr questiona se o Google estará nos tornando “estúpidos”, a partir de observações em si próprio. Anteriormente capaz de longas leituras concentradas, Nicholas declara não ser mais capaz de seguir uma linha de raciocínio e realmente se concentrar em uma leitura por mais de duas ou três páginas – o que antes achava fácil.

Ele compara com o que aconteceu a Friedrich Nietzsche em 1882, quando a diminuição da visão foi compensada pelo uso de uma máquina de escrever, que depois de dominada permitia que ele escrevesse de olhos fechados. Um compositor gráfico amigo de Nietzsche comentou que seu texto tinha se tornado mais tenso, mais “telegráfico”.

O autor menciona ainda o que interpreta como sendo uma “reprogramação” de circuitos neurais e citando Marshall McLuhan, que dizia que a mídia não consiste em canais passivos de informação: ela provê o conteúdo do pensamento, mas também modela o processo de pensamento.

O estudo da Universidade da Califórnia chama mais a atenção para o benefício da “ginástica cerebral” para idosos, através do uso dos mecanismos de busca.

Sem dúvida ambas as interpretações são possíveis, e talvez o tempo mostre uma convergência: nem tanto ao mar, nem tanto à terra…

Referências

Plasticidade Cerebral – Curso em Belo Horizonte, 28 e 29/11/2008

http://www.comvidaaprender.com.br/curso-plasticidade-cerebral/

UCLA study finds that searching the Internet increases brain function

http://www.uclahealth.org/body.cfm?id=403&action=detail&ref=1100

Is Google Making Us Stupid?
Nicholas Carr

http://www.theatlantic.com/doc/200807/google

Are Our Brains Becoming “Googlized?”…

http://lo.karloba.at/postcomments-tid-5197.htm

Como aprender inglês sozinho

http://www.englishexperts.com.br/2007/05/29/autodidata-em-ingles-parte-i/

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1 comentário

  1. Cérebro e Ciência » Archivos » O que o Google está fazendo com nossos cé…

    O artigo compara opiniões sobre possíveis alterações cerebrais devidas ao uso de mecanismos de busca. Comenta possível relação dos fenômenos com a plasticidade cerebral, propriedade de renovação dos cérebros em qualquer idade….

    Trackback por Marco via Rec6 — 28 de novembro de 2008 @ 12:38

 

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