Transformando o computador num aliado
E não estou falando de Google. As previsões de Ray Kurzweil para a humanidade nas próximas (poucas) dezenas de anos são inquietantes, para dizer o mínimo.
A lei de Moore, prevendo que o poder de processamento das máquinas, mantido um dado preço, iria dobrar a cada 18 meses, tem se confirmado ano após ano. Quem se lembra da historinha de Malba Tahan – o “homem que calculava” falando sobre o matemático que pediu um pagamento incomum para um problema resolvido vai entender isso direitinho.
Para quem não se lembra da historinha, é simples: o matemático pediu o pagamento em grãos de trigo dispostos em um tabuleiro de xadrez. Um grão no primeiro quadrinho, dois no segundo, quatro no terceiro, dobrando o número a cada quadrinho (2 elevado à 64ª potência…). O rei se indignou e mandou que calculassem e pagassem rapidamente o que interpretou como brincadeira de mau gosto. Os “matemáticos” a seu serviço descobriram rapidinho que mesmo que a Terra fosse toda coberta de plantações de trigo seria impossível atender o pedido.
Aplicando isto à progressão do poder computacional, Ray Kurzweil estima que por volta de 2050 os pequenos computadores equivalentes aos compráveis hoje em lojas de informática poderão ser um bilhão de vezes mais inteligentes do que um ser humano.
A tríade nanotecnologia – robótica – genética parece estar se preparando a largos passos para confirmar as mais atrevidas previsões, e algumas tentativas já foram feitas com implantes de máquinas em seres humanos. Algumas próteses já representam vantagem desleal para os “deficientes”, e a extensão da inteligência com “próteses cerebrais” parece cada vez mais próxima.
Ou seja: ou as máquinas desenvolvem um poder paralelo capaz de desafiar a inteligência humana ou os humanos continuam usando as máquinas em seu benefício, adaptando recursos para pensar mais e melhor. Mesmo sem uma interface direta com o cérebro, hoje já seria praticamente impossível para qualquer pessoa concorrer em uma disputa de conhecimentos se o adversário simplesmente tivesse acesso à internet.
Ainda não estamos falando da “singularidade”, um fenômeno relacionado à evolução tecnológica e que possivelmente tornará o funcionamento do mundo incompreensível para os seres humanos em algum momento talvez bem próximo, coisa de 20 a 30 anos.
Seja como for, a necessidade de “turbinar” a capacidade cerebral já existe. Coisas que a escola antiga desprezava, como a “cola”, ressurgem no mundo moderno com novas roupagens: leia-se “trabalho colaborativo”, “redes sociais”, “pesquisa na internet”.
Após alguns anos de observações, posso dizer hoje que existem alguns recursos computacionais já bastante úteis e que podem nos ajudar e preparar para todas estas incertezas, gerenciando melhor o turbilhão de informações que só faz aumentar. Dentre eles pretendo falar sobre características e benefícios de três:
- SuperMemo
- FreeMind
- Personal Brain
São produtos diferentes, todos com versões gratuitas que podem ser experimentadas por quem sintonize com as vantagens que identifiquei neles e que considero importantes.
Preparei um pequeno resumo das características dos três, eventualmente explicarei em detalhes por que eles são tão importantes. O SuperMemo é um programa que coleta informações para incrementar o aprendizado utilizando características do aprendizado humano da melhor maneira. Ele armazena e gerencia as informações aprendidas pelo seu usuário, e faz recapitulações, perguntas, divisão de matérias de um modo tal que praticamente garante a retenção de até 90% do material aprendido, em alguns casos até mais.
O FreeMind é um programa para elaboração de mapas mentais, os “mind maps”, outro recurso capaz de melhorar o aprendizado, mas ele pode ser usado para diversas outras aplicações. Por exemplo, o usuário pode criar sua própria versão de um curso, ligando pontos da rede ao que quiser, como arquivos no computador, sites internet, emails.
Finalmente, o Personal Brain é uma evolução dos mapas mentais, permite armazenar e recuperar informações de um modo muito parecido com o funcionamento de um cérebro humano. Dito assim parece pouco, mas é assunto para muitas conversas! E para mim, ele cumpre muito mais do que promete.
